Na cadência dos tambores do Congo e sob o véu da noite de Roda D’Água, surge João Bananeira, figura enigmática, herói mascarado das lutas silenciosas e dos gritos abafados pela opressão.
Com a alma vestida de resistência e o corpo coberto por folhas e panos, ele dança — não apenas por folia, mas por liberdade.
Nossa escola mergulhará na memória ancestral do município de Cariacica, Espírito Santo, para reverenciar o Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D’Água, onde os negros escravizados, sob o manto da fantasia, desfilavam suas dores e esperanças.
Os senhores de engenho não os reconheciam, mas suas almas sabiam quem eles eram: filhos das Áfricas, guerreiros do batuque, defensores da cultura.
João Bananeira, personagem forjado na sabedoria popular, é símbolo dessa rebeldia disfarçada, desse riso subversivo que se vestia de mato, de espanto, de espírito.
Ele representa a coragem dos que, mesmo sob as amarras da escravidão, reinventaram a liberdade nas brechas da festa.
Com máscaras, cores, tambores e cantos, a Águia de Cariacica contará a história dessa tradição única, na qual o Carnaval se torna resistência, a cultura se transforma em escudo, e João Bananeira, com sua dança inconfundível, vira lenda viva do povo.
Cahê Rodrigues
Carnavalesco
Clark Mangabeira e Victor Marques
Enredistas
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